PATROCÍNIO SALESOLUTIONANO III - Nº 012 - JANEIRO DE 2009
ARTIGO

Dinossauros não são sustentáveis
Por Mário Sérgio de Moraes (foto)*

Há muitos séculos os dinossauros dominavam a terra. Mas o mesmo tamanho que lhes conferiam superioridade sobre as outras espécies lhe tirava a mobilidade para reagir às intempéries. Essa imagem pode ilustrar bem a realidade de grandes empresas que ainda não vêem nos conceitos de sustentabilidade os pilares para sua sobrevivência. O mais importante deles está na falta de respeito aos funcionários. A ótica gananciosa que dirigiu o capitalismo por tantos anos colocando os indivíduos em segundo plano pode quebrar a espinha dorsal dessas empresas, que sempre obtiveram sucesso seguindo a mesma receita.
Nos últimos meses, a crise trouxe à tona a realidade que há muito tempo se anunciava, de como o Neoliberalismo tirou do Estado funções essenciais, com o argumento de que o mercado se auto-regulava. A forma como o sistema financeiro sucumbiu desde setembro só demonstra
que, na verdade, o Estado vem se eximindo de sua responsabilidade, especialmente regulatória. E, com a globalização, isso acabou tomando proporções gigantescas,  nunca antes imaginadas.
É preciso agora que o Estado volte a ter um papel regulador e atuante, porque quando ele se retira os direitos deixam de ser preservados. Entre estes direitos mais importantes estão os direitos políticos, os direitos sociais (trabalho, educação, saúde, segurança, etc.) e direitos ambientais.
Uma prova da ausência do Estado pode ser vista mais diretamente nos direitos sociais. A ausência do Estado na educação, deixando-a na mão de terceiros como se “o mercado resolvesse”, deixou de fora a grande maioria da população nas últimas décadas. O mesmo vem acontecendo nos direitos trabalhistas, onde a falta de regulação abre brechas para perdas de conquistas obtidas no início do

século 20.
No começo dos anos 80, os empresários alegavam que o Estado era “burrocratizado”, mas hoje o que se vê é a confirmação da teoria de Keynes de que o mercado não se regula por si só. E os números confirmam isso. Da 2ª Guerra até os anos 80 o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescia a uma média de 5% a 6% ao ano. Bem ou mal, o País crescia. A partir da segunda metade dos anos 80 até o ano passado a média era de 2%. Ou seja, passamos a patinar porque os empresários preferiram investir em bolsa e papéis em vez de investir em produção.
Nos últimos anos, o capital

que veio para o Brasil é, na maioria, puramente especulativo e só vem para cá como vampiro, atrás de taxas espetaculares e ganhos rápidos. Não investem na produção e o País não cresce. Isso demonstra que o modelo de crescimento não é sustentável e que estamos soltando um macaco numa loja de louças. É preciso que haja uma visão mais abrangente sobre a sociedade, porque senão teremos um papel mais subalterno e a “doença social” vai avançar ainda mais, dividindo a população entre muros e medos. Sustentabilidade nasce por meio de um conceito social mais amplo e justo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Mário Sérgio de Moraes é professor doutor de realidade social da FAAP, da Universidade de Mogi das Cruzes e Pesquisador do Laboratório de Estudo Sobre a Intolerância da Universidade de São Paulo (USP). Tem quatro livros publicados, entre eles “O Ocaso da Ditadura”, publicado em 2006, e “História da Imigração Japonesa em Mogi das Cruzes”, editado em 2008.