PATROCÍNIO SALESOLUTIONANO I - Nº 001 - JUNHO DE 2007
ACONTECE

Tecnologia no trabalho pode ser uma faca de dois gumes

 

Que a tecnologia é uma necessidade hoje dentro das empresas ninguém discute. Entretanto, o uso indiscriminado dessa ferramenta pode acabar provocando problemas que até há pouco tempo seriam inimagináveis. Por isso, todo o cuidado é pouco com e-mails, intranets, celulares, computadores portáteis, entre outros. Esse é o alerta do advogado Luiz Coelho, especializado em direito trabalhista e previdenciário, do escritório Coelho, Morello e Bradfield.
Segundo ele, a tecnologia permite registros que antes não aconteciam, como o horário em que um chefe ligou para o celular  

 

de um funcionário ou que uma solicitação foi enviada por e-mail durante a noite. "Se for fora do horário de trabalho, isso, conforme o caso e a freqüência, pode caracterizar hora extra e o empregado terá em mãos provas contra o empregador para serem usadas em uma possível ação contra a empresa", explica.
As companhias que utilizam os pequenos computadores de mão, ou palm tops, passaram a contar com um poderoso controle sobre suas equipes externas, especialmente em vendas. Mas eles também podem  criar provas contra elas, de acordo com Coelho.

 

"Muitos aparelhos possuem tecnologias avançadas onde se programa até mesmo o horário em que um relatório de visita deve ser enviado para o sistema". Com isso, por via oblíqua, poderemos ter configurado um controle de horário incompatível, por exemplo, com a função de um vendedor externo.
A concessão deste tipo de equipamento a um funcionário não significa que o empregador passe a ter o direito de tê-lo acessível 24h por dia, 7 dias por semana, alerta o advogado. De acordo com Luiz Coelho, o melhor caminho sempre é o bom

senso e buscar o comprometimento do funcionário, independentemente das tecnologias. "Se um supervisor de vendas quer acompanhar 'mais de perto' o horário de início dos trabalhos de seus vendedores, basta, por exemplo, marcar encontros esporádicos com a equipe ou, ainda, encontrar meios mais sutis de avaliação da eficiência e produtividade de seus comandados. Isso melhora a convivência e ajuda no trabalho sem abrir campo para conflitos futuros", afirma.