PATROCÍNIO SALESOLUTIONANO II - Nº 009 - OUTUBRO DE 2008
ARTIGO

Vendedor, esse profissional mal compreendido
Por Anna França (foto)*

No final de setembro, os desembargadores da segunda turma do TRT de Mato Grosso condenaram uma distribuidora de bebidas a pagar R$ 11.680,00 por indenização a danos morais a um ex-vendedor, vítima de assédio moral no local de trabalho. A juíza Graziela Cabral Braga de Lima, da 4ª Vara do Trabalho de Cuiabá, reconheceu a ocorrência de assédio moral praticada no interior da empresa após a comprovação, através de depoimentos de testemunhas, de que o trabalhador, quando não atingia a meta de vendas estabelecida, era submetido ao que se chamava "corredor do trote". Duas filas de pessoas se formavam e o vendedor que não atingia os resultados tinha de passar por ela, momento em que era submetido a toques humilhantes e achincalhes. A empresa recorreu ao Tribunal alegando que não ficara comprovado no processo o fato e de que tais ofensas não teriam sido causadas diretamente pela empresa, pedindo, pelo menos, a redução da condenação para 2,5 mil reais. Tais fatos só demonstram a que tipo de coisas os profissionais de venda são submetidos quando não conseguem
atingir os objetivos traçados. Mas será que as empresas antes de pensar em humilhar ou impingir qualquer tipo de reprimenda aos vendedores não pensam antes em prepará-los melhor para sair a campo? No dia 1º de outubro, se comemora o Dia do Vendedor. Mas será que temos mesmo o que comemorar? Acho que é preciso refletir um pouco sobre esta profissão e, principalmente, fazer um balanço de todas as mudanças que a carreira vem sofrendo ao longo dos anos. Novas exigências são feitas por um mercado cada vez mais competitivo e globalizado. O jogo mudou muito e o relacionamento com o cliente não se sustenta mais com simples tapinhas nas costas.
As empresas, bem como os vendedores profissionais, devem encarar a atividade com mais seriedade. Para isso o preparo é essencial até para que se quebre o mito de que vender é um dom ou, pior, de que o vendedor é alguém que fracassou em outra profissão e acabou aceitando um emprego na área. É preciso que os vendedores saibam que a carreira é muito promissora. Um bom exemplo disso está no mercado norte-americano, onde se estima que cerca

de 5% das fortunas são feitas por vendedores. E isso não tem nada a ver com sorte, e sim, com técnica e preparo, atividade muito comum nos Estados Unidos.
E a melhor forma de um vendedor compreender como ele pode se preparar adequadamente é por meio de processos. Encarar vendas como um processo – ao invés de um dom natural – pode ajudar um profissional a transformar seu esforço em receita de forma mais eficaz.
O grande problema é que no Brasil, infelizmente, há uma confusão entre processo e burocracia. E não é disso que estamos falando, mas sim de um entendimento maior sobre a psicologia da compra. Quando se consegue alinhar uma série de atividades com o programa mental de decisão de compra de um cliente, pode-se chegar a um resultado específico, ou seja, vender de uma forma

mais efetiva. Em mercados mais competitivos, a diferença entre ganhar ou perder reside em detalhes mínimos. Saber ouvir os anseios do cliente e oferecer algo que realmente atenda às suas necessidades pode fazer toda a  diferença na percepção de quem compra, que passa a se sentir realmente “atendido”.
Assim, vale frisar que a função principal de vendas é a comunicação, porque quando a concorrência é maior, mais do que falar, é preciso ouvir o que o cliente necessita. Dessa forma, a essência da comunicação em vendas está mais relacionada a saber fazer as perguntas certas para poder oferecer uma melhor solução para o cliente.
 E você, está se preparando? O dia do vendedor abre as portas do último trimestre do ano e as metas estão aí. Este é um bom momento para pensar em fazer de diferente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Anna Lúcia França é jornalista há 18 anos. Formada pela Pontíficia Universidade Católica de São Paulo, especializou-se na área econômica, escrevendo para Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Exame e Veja. Atuou também na área de comunicação corporativa por cinco anos. Atualmente, cursa o MBA de Informações Econômica e Derivativos para Jornalistas, ministrado pela Fundação Instituto de Administração (FIA) em parceria com a BM&F.