PATROCÍNIO SALESOLUTIONANO I - Nº 007 - DEZEMBRO DE 2007
ARTIGO

O doce amargor da vaidade
Por Ivana Orichio (foto)

Conhecer os mistérios do ser humano pode ser muito interessante para muitos de nós. Ultimamente, temos a impressão de que a alma humana vem sendo cada vez mais exposta e descortinada em todos os meios de comunicação, o que desperta questionamentos e provoca até mesmo a elaboração de pesquisas a respeito disso.
No entorno destas discussões, descobrimos, entre outras coisas, diversas ditaduras. Algumas atuam de forma subliminar, outras de forma clara e direta. Somos alvo da ditadura da inteligência, da moda, do consumo, da beleza, da magreza, do possuir. Tudo parece ter muito mais força e poder do que o que realmente somos – seres humanos.
O curioso é que podemos identificar em diversas ditaduras um tema muito presente na alma humana desde os tempos mais remotos – a vaidade.
Vaidade, vaidade! Como é impressionante perceber o quanto somos vaidosos nas coisas mais improváveis e o quanto não nos percebemos vaidosos em outras. 
Somos vaidosos quando acreditamos piamente que tudo o que sabemos é uma verdade absoluta, que nossas experiências são nossa tábua de salvação em qualquer situação de dúvida; que nossa formação é impecável; que os livros que lemos são os melhores; que podemos fazer quase tudo melhor do que qualquer outra pessoa.
O universo de vendas complexas, como não poderia deixar de ser, segue o mesmo curso. Muitos de nós acreditam que sabemos tudo sobre vendas.  Seria isto vaidade?
Há vendedores que não admitem que estudos, processos, métodos e técnicas de vendas possam surtir quaisquer efeitos nos indivíduos que nasceram com o “dom de vender”.  Seria isto vaidade?
Será que um exímio pianista, que nasceu com um dom especial, não precisa praticar diariamente, estudar ou utilizar técnicas para desenvolver e manter sua maestria? Se isto acontece, por que não deveria acontecer o mesmo com um vendedor?

Será que alguém que não nasceu com o dom de cantar e sonha com isto está fadado a jamais realizar este sonho?  Claro que não, nos dizem os professores de canto.
Sabe-se por diversos estudos que mesmo quem não é percebido como um “vendedor inato” pode desenvolver habilidades de um bom vendedor. Assim como um vendedor talentoso também precisa manter-se em forma.
Não seria vaidade usar a presença ou a ausência de um dom como mecanismo de defesa contra a preparação, o hábito do planejamento e estudos para a melhoria profissional?
Como todo artista, o vendedor deve investir tempo e esforços para desenvolver

bons hábitos. Naturalmente, num primeiro momento (quando ainda não há o hábito) a ação custa esforço e não se dá espontaneamente, mas com o tempo e com a disciplina surge a facilidade, surge o hábito.
A vaidade é ofuscante, ela nos cega!
Nós vendedores, que precisamos demais saber ouvir e enxergar muito bem o que acontece com nossos clientes, nosso mercado, nossos concorrentes, precisamos de muita prudência para saber identificar e controlar os ímpetos de nossa vaidade.
Vamos colocar as mãos em nossa consciência e aceitar que experiência, formação e canja de galinha não fazem mal a ninguém!